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Quem quiser ir compartilhando impressões antes da próxima reunião, fiquem à vontade.

Próximo encontro:
2025-01-11 sábado, 14h.

Tínhamos falado em ler até o capítulo "No escuro do quarto, a ausência do tique-taque..." (mais ou menos 70 págs.). Mas acho que podemos mirar até mais ou menos metade do livro. Depois, concluímos com mais uma reunião.

Se tiverem blog, rede social etc, mandem para nos seguirmos.

Lendo um capítulo por dia, já passei longe das 70 págs. Impressionante como o livro ficou atual. Volta do fascismo, colapso ecológico, embotamento generalizado das pessoas... Identifiquei-me bastante com o protagonista Souza.
Não sei se sabem, mas o Ignácio tem uma coluna no Estadão https://www.estadao.com.br/cultura/ignacio-de-loyola-brandao/ e integra a Academia Brasileira de Letras.

obs.: Dá pra quebrar o paywall do Estadão com extensões de navegador que desabilitam (java)script ou com o app Marreta https://marreta.pcdomanual.com/ , entre outros.

    sola Comecei o livro tem uns dias e senti a mesma coisa, poderia ter sido escrito hoje. O que é um tanto deprimente pra nós, no geral. Por enquanto estou achando a leitura super fluída e voto em ler até a metade também.

      Meu voto também vai para lermos até a metade.

      snowwhitetenshi É, eu gosto de distopia por causa disso. Elas viraram nossa realidade.

      Acho que até metade do livro é tranquilo pra mim também, achei bem fluida a leitura.

      Ler até a metade me agrada também. Estou gostando do livro, destaquei algumas coisas que achei bem contemporâneas, aliás o livro todo é bem atual. Mas sabe que, apesar de ser bem apocalíptico, eu sinto um teor de comédia, não sei explicar exatamente o que é mas tem partes que acho engraçada.

        Mariana É verdade! As interações do casal têm um lance meio Woddy Allen, ha ha. E o Souza é meio turrão, quase pirracento. Eu imaginei ele mais ou menos como o velho daquela série nova Disclaimer.

        4 dias depois
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        sola eu estou por volta de 25% do livro e vou chegar até 50% até sábado para reunião, mas tem coisas que ele só cita mas não explica. Ou será que vai explicar? Por exemplo o que foram os Abertos Oitenta?

        Alguém tem alguma opinião? Me parece um evento esportivo. Será?

          antonio
          Acho que é um dos termos da história que são mencionados como se todo mundo soubesse. Pra mim, parece que se refere à uma abertura que teve nos anos 80, como na nossa realidade, depois do fim da ditadura — bem o período em que o livro foi escrito, durante o movimento "Diretas Já".

            sola Faz todo sentido. Estou vendo várias coisas que são mencionada que meio que explicam o porque as coisas são assim, mas que não é dado detalhes. Vou ver se começo a anotar para trazer na reunião de sábado e ver se alguém tem alguma teoria.
            Quem sabe a gente até não faz uma brincadeira aqui "escrevendo" um fã book com as teorias. :-)

              antonio É, como a "Grande Locupletação". Precisei do dicionário nessa.

                sola nossa, tenho usado o dicionário a cada duas páginas hauhaha sinto o narrador bem pedante nesse sentido, mas não sei se é mais coisa do autor… quero dar uma olhada na coluna dele antes da reunião por isso mesmo

                  • Editado

                  verdemusgo Também uso bastante o dicionário, mas é que essa "locupletação" me intrigou mais. O pior é que fiz jailbreak no Kindle e o dicionário pt-pt é bem fraquinho, não tem nada (mas no geral ficou melhor agora).

                  É, acho que o Ignácio L.B. de vez em quando usa essas palavras rebuscadas sim. Talvez seja coisa da geração old school dele.

                  Olá pessoal,
                  Foi muito legal a nossa reunião do livro. Muito rica a discussão e me trouxe novas perspectivas sobre o livro.
                  Uma coisa que eu queria compartilhar mas achei que ia ficar melhor aqui no forum, é sobre quando no livro é descrita a fotografia que o Souza tem com a Adelaide, ele fala do lambe-lambe, como eram conhecidos os fotógrafos de rua que existiam em São Paulo.
                  Até recentemente eu não conhecia o termo lambe-lambe, porém ao ler no livro, lembrei que assisti este documentário e achei muito legal. Quero compartilhar com vocês. São 4 vídeos mas é curtinho.
                  https://youtu.be/aYnLPcpf9K0?si=0158p-HugTidPVqq
                  https://youtu.be/0BLJfALN61M?si=NJ1PPIl82xM0CneA
                  https://youtu.be/wzydrxcPJ4o?si=aub8JT8W79-G6g_N
                  https://youtu.be/iMQ8GeJjxUo?si=Qd58901Lm-isNoFQ
                  Espero que gostem.

                  • Editado

                  O encontro de sábado 11 rendeu legal. Muitos pontos de vista enriquecedores que realmente me fizeram apreciar mais o livro. Não que não esteja gostando, mas não estava imensamente apaixonado — ainda não estou, mas agora subiu na minha avaliação. Apreciar um livro coletivamente multiplica mesmo a experiência.

                  Segue um resumo do que lembro. Com certeza, não é tudo. Então, quem puder complementar com o que faltou ou mais observações, por favor…

                  Assustador

                  O livro é muito atual nesta época de catástrofe ambiental e volta do autoritarismo. Tanto que esse aspecto de realismo chega a causar incômodo. Mas isso também torna o livro mais interessante e instigante.

                  Humor corrosivo

                  Ao mesmo tempo, tem situações engraçadas — algumas até hilárias —, apesar de ser um humor trágico e nervoso, em meio ao horror completo.

                  Passividade

                  Souza é um reclamão, com muitas ideias e pouca ação. Um cara nostálgico que fica lembrando do passado de modo estéril. Pode não despertar tanta empatia. Mas é possível compreender ou até se identificar com ele.

                  Sobre a passividade de Souza, foi mencionado o ótimo (apesar de chocante) filme Não Fale o Mal (a versão original europeia) — (alerta de spoiler conceitual leve) coisas horríveis acontecem porque as vítimas, no fundo, deixam acontecer.

                  Somos como Souza?

                  A falta de atitude de Souza é como a inércia das pessoas hoje frente às crises, principalmente ambientais. Mas podemos condená-lo por isso?

                  Ele não nasceu desse jeito. De certa forma, foi moldado pelo ambiente cultural, social e político, assim como as pessoas são, disfarçadamente, controladas hoje.

                  Transformação

                  O elemento fantástico do furo na mão parece coincidir com uma abertura em sua visão. Quando o buraco se completa, ele passa a enxergar de olhos mais abertos a desgraça ao redor, e sua vida se torna um caos.

                  Casal

                  Apesar de Souza destratar e, às vezes, esquecer da esposa, sua personalidade é ambígua. Além de não sabermos exatamente quem culpar nos desentendimentos do casal, o terno carinho que ele guarda pela esposa torna seus sentimentos mais complexos.

                  O amor que foi morrendo entre o casal, de certo modo, é um reflexo da lenta morte do mundo. Não é difícil se identificar com essa situação.

                  É especialmente marcante a cena de flashback com a esposa tocando piano, como ela foi suprimindo seus impulsos artísticos, e a culpa que Souza sente por isso, em como ele foi se afastando e, assim, influenciando a distância e frieza entre o casal. Isso enriquece e traz uma profunda dimensão pessoal à história.

                  Emergência climática

                  Cenas como a do avô derrubando árvores com Souza ainda criança, a extinção da Amazônia e sua transformação em um deserto, e a ausência completa de expressões vivas da natureza que não o ser humano fazem pensar muito na atual emergência climática e ecológica.

                  É algo gravíssimo, acontecendo quase na frente de nossos olhos, que muitas vezes não damos muita atenção. Mas também falta liberdade e condições para que as pessoas possam fazer algo. A sutil dominação e o condicionamento são barreiras. Não estamos imunes a isso.

                  Um exemplo de condicionamento é o sobrinho, alguém que já nasceu naquela terra apocalíptica. Não sente falta de natureza porque nunca viu, não sabe o que é.

                  O que fazer

                  Assim como Souza parece impotente, também é possível se sentir assim diante do mundo atual. Mas o próprio clube de leitura é um exemplo de fazer algo ativamente que vai um pouco contra a acelerada, algorítmica e ideológica cultura dominante.

                  Outro exemplo é o modo mais alternativo com que algumas das pessoas participantes usam a internet, com sites pessoais afastados das big techs, redes sociais contraculturais etc.

                  Chama a atenção no livro a ausência quase completa da tecnologia de informação, já que em 1983, quando o livro foi publicado, já havia computadores e previsões sobre sua futura dominação.

                  Material citado

                  Ótimo resumão do encontro.

                  Não comentei na hora, mas esse livro também me lembrou um pouco O Conto da Aia e a questão das mudanças que aconteceram naquela sociedade e como as pessoas só foram aceitando tudo. Inclusive no livro da Atwood também tem a questão com os problemas causados pelas mudanças climáticas e a baixa natalidade.

                    • Editado

                    snowwhitetenshi Quero ler a trilogia MaddAddam da Atwood, acho que só tem em inglês. Eu tava vendo O Conto da Aia há uns anos, mas lá pela temp. 2 fiquei com a impressão que a série estava enrolando, que não saía do lugar, e quando saía, depois voltava. Aí larguei. O livro deve ser melhor, não?

                      sola Se você assistiu toda a primeira temporada aquela basicamente é a história do livro na verdade. A partir dali a série cria um roteiro e história original, do que eu entendi. Não sei se a série chega a adaptar algo do livro novo do Conto da Aia e eu também só assisti a primeira temporada.

                      Ouvindo sobre pela minha mãe parece mesmo que eles só arrastaram a história porque tava rendendo financeiramente falando.

                      Eu tenho a sensação que o Souza não é um narrador muito confiável. Me parece que ele não segue uma linha de raciocínio muito direta. Também acho que esses devaneios dele que acontecem no meio das situações caóticas muito estranhos, tô curioso pra saber se isso vai ser explicado no decorrer do livro. Concordo com os pontos tratados, chega a assustar e ficar desconfortável o quanto a narrativa se aproxima da nossa realidade. Foi uma excelente escolha pra começar o clube!

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