Finalizei o livro e não gostei. Não sei se o problema sou eu, mas achei tudo muito insosso e imediatista. A primeira parte começa interessante, mas vai se arrastando e não fez com que eu me conectasse com a narrativa, até os últimos capítulos dessa parte, onde acontece o clímax. Como o @amorim comentou, a segunda parte tem esse tom imediatista e dá um senso de urgência meio que sem razão. A autora joga um monte de coisa acontecendo, não dá um contexto, não aprofunda muito em nada e, sinceramente, ela parece não se aprofundar porque não sabe direito como explicar aquilo de forma que faça sentido, diferente de "Não verás país nenhum", onde a gente não tem a explicação porque o narrador, que no caso também era o personagem principal, não entendia direito/não assimilava o mundo. Parece que a Regina é lúcida o suficiente pra fazer um comentário crítico mais profundo, mas ela simplesmente não faz.
Falando sobre Regina, apesar de muito lúcida e muito eloquente, acho estranho que ela perca todos esses traços meio do nada, por causa do acontecimento na primeira parte (talvez ela tenha perdido aos poucos na primeira parte e eu não percebi…) e lá no fim do livro, volta a ser a pessoa que era no começo, sem muita explicação pra nada; não me conectei em absolutamente nada com ela. Achei as partes mais eróticas do livro meio vazias, é algo que ainda não sei explicar direito… não acho que precise de uma função na história, mas a motivação pra que ela começasse, fizesse o que fez e até o jeito como foi escrito… era muito superficial, e talvez esse fosse o tom desejado pela autora.
Parece que tudo que mais me interessou no livro aconteceu com outras pessoas. Fiquei curioso pra saber mais sobre a história de Lupe e suas motivações, curiosíssimo pra entender onde a Denise estava metida, por quê a Eugênia era tão omissa, como era pra Aline estar em outro país e ver as coisas acontecendo com sua família e não poder agir… tantos outros aspectos mais divertidos pra serem explorados mas que não ganham espaço porque a Regina toma conta da narrativa. O paralelo que rola na narrativa dela com a Lupe é fraco, sem sentido, apela pro espiritual sendo que em nenhum momento nenhuma das duas apresenta esse laço. Inclusive, ambas falam que não culpam uma à outra, mas sentem algo que não sabem explicar… e não explicam. Logo no começo, a Regina diz que "… um monte de coisa faz sentido e outro monte de coisas não faz. E que eu tenho preguiça de conversar com as pessoas." Será que isso é justificativa suficiente pra não desenvolver a personagem principal?
Eu gostei de NVPN porque apesar de não entender direito a dinâmica daquele mundo, o autor deixava pistas e sugestões que faziam a imaginação florescer. Aqui, além de não ter pista nenhuma, a forma que tudo é descrito e jogado pro leitor na segunda parte nem te deixa imaginar. Um exemplo: sei que existe um jogo onde você ganha pontos por agredir um certo grupo de pessoas. OK, o que eu faço com essa informação, além de saber que ela existe? Em nenhum momento alguém é confrontada nesse sentido (só uma personagem, que quase não tem importância pra narrativa depois do meio do livro), não existe razão pela motivação (além de ódio gratuito), não existe um embate filosófico dessa razão, não tem uma dissolução pra esse conflito que seja satisfatória (talvez isso nem seja essencial nesse caso), não existe um personagem no livro que jogue o jogo… só tá tudo lá, sem muito aprofundamento.
Inclusive, esse tom imediatista faz muito sentido quando vemos o ano que o livro foi publicado. Tudo parecia muito mais urgente em 2021. Só que a crítica tem a mesma profundidade que tinha em 2021… é rasa; falar mal do governo da época repetindo tudo que era fortemente compartilhado e viralizado não ajuda em nada o desenvolvimento do livro, parece mais um desabafo do que uma crítica. Em diversos momentos parece que ela propositalmente quis escrever uma ~crítica social foda e ficou por isso mesmo. Tem um certo momento que o meme "Cuidado com a burra" é escrito e, sinceramente… fiquei com vergonha da situação. Principalmente porque em nenhum outro momento algum outro meme é citado. Não fez sentido nenhum aquilo estar ali.
TL;DR: o livro todo tem essa vibe de que as coisas estão ali por estar, simplesmente. Não se aprofunda em nada e não desenvolve nada com vontade, com crítica, com ódio, com sentimento nenhum.
Não sei se vamos ter um encontro nesse sábado por causa do carnaval, mas eu não poderei participar porque estarei trabalhando, então fica aí minha impressão. 🙂