Eu pensei assim: o livro não deixa de ser uma casa de folhas e a diagramação, com seus espaços em brancos, quadrados e tiras, não deixa de ser também a própria casa, com seus cômodos que mudam a toda hora. O leitor é um leitor-personagem, pois, além de compartilhar da mesma esperança que acompanha os da personagens expedição: de encontrar algo dentro do vazio, compartilha também de um espaço caótico dentro do livro. O fantasma que habita o vazio é assustadora realidade. Porque, enquanto o livro faz esse jogo entre não se saber o que é verdade ou imaginação na história, a realidade - (se é que existe uma) também carrega essa ambiguidade, preferimos acreditar que nossos pensamentos, memórias etc não são ilusões de óptica de nossa mente, pois seria assustador para nós se descobrirmos que tudo isso é que chamamos de realidade não passa de um sonho.
Será?