@estão-lendo
Levei um tempo para começar a pegar a espírito da coisa. No capítulo 3, o do médico, finalmente as coisas começaram a fazer mais sentido. Grifei esse trecho, que me parece uma referência ao título e tema do livro, pelo entendimento bem particular da palavra "satânica":
Decidira que observaria tudo com cuidado e, sequencialmente, “documentaria” tudo, esforçando-se para não perder nenhuma minúcia, porque se dera conta de que deixar de observar coisas aparentemente insignificantes era o mesmo que ceder: estamos imobilizados e indefesos entre a desagregação e as “cordas trêmulas” da ponte que nos liga à ordem compreensível; cada pequeno detalhe que acontecesse, fosse ele o “território perdido sobre a mesa” por conta de cinzas de cigarro, a direção de onde vinham gansos selvagens ou ainda a série de gestos humanos sem significado, teria de ser seguido e anotado com uma atenção permanente, e assim poderíamos esperar simplesmente que um dia nós mesmos não nos tornaríamos prisioneiros emudecidos, sem deixar rastros, da ordem satânica, destruidora, em eterna evolução.